A celebrada região de Barolo recebeu o estatuto de Património Mundial da UNESCO em 2014, um ano antes de os vinhedos da Borgonha o receberem em 2015. E não é ilógico estabelecer comparações entre estas duas regiões igualmente complexas do ponto de vista geológico. Enquanto a Borgonha há muito cultiva o reconhecimento das diferenças entre comunas e vinhas, Barolo só começou a incorporar legalmente a inclusão de cru (equivalente a Grand Cru e Premier Cru da Borgonha) e de designação de vinha (equivalente a lieux-dit da Borgonha) nos rótulos em 2007 e 2009, respetivamente.

Pode parecer uma tarefa assustadora navegar na intrincada teia de comunas, crus e vinhas de Barolo (bem, só lembrar e compreender as da Borgonha pode levar várias vidas!), mas há, de facto, uma forma mais simples de obter rapidamente uma noção do estilo de Barolo. A região de Barolo apresenta um mosaico de composições de solo, mas é dominada essencialmente por dois grandes tipos de solo: Helvético e Tortoniano.

Crédito: Revista Decanter

Solo Tortoniano

“O primeiro tipo de solo, margas calcárias da época Tortoniana, relativamente compactas, mais frescas e mais férteis… caracteriza as vinhas dos concelhos de La Morra e Barolo e produz vinhos mais macios, frutados e aromáticos, que envelhecem relativamente depressa para um Barolo.” – Oxford Companion to Wine de Jancis Robinson

O solo tortoniano encontra‑se principalmente nas comunas de Barolo e La Morra. A idade do solo varia entre 7,2 e 11,6 milhões de anos. Este solo com tonalidade azulada é rico em magnésio e manganês. É constituído sobretudo por argila, misturada com alguma areia e calcário. Isto origina Barolos mais fragrantes, elegantes e acessíveis, com um bouquet delicado e cativante. Estes elegantes Barolos atingem o apogeu mais cedo do que aqueles que prosperam em solo helvético.

Crédito: Solo Tortoniano, de wineinvilla.com

Solo Helvético (ou Serravaliano)

“O segundo tipo de solo, da época Helvética, com uma maior proporção de arenito comprimido, é menos compacto, mais pobre e menos fértil, com o resultado de que os concelhos de Monforte d’Alba e Serralunga d’Alba produzem vinhos mais intensos e estruturados, que amadurecem mais lentamente.” – Oxford Companion to Wine de Jancis Robinson

O solo helvético, igualmente conhecido como serravaliano, encontra‑se principalmente nas comunas de Castiglione Falletto, Serralunga d’Alba e Monforte d’Alba. A idade do solo varia entre 11,6 e 13,8 milhões de anos. Este solo de cor bege calcária é rico em ferro e composto principalmente por arenito e areia. É mais pobre, menos compacto e menos fértil do que o solo tortoniano. O resultado é um estilo mais poderoso, com profundidade e um corpo robusto e estruturado. Os vinhos podem levar de 12 a 15 anos a atingir o apogeu e a revelar o seu melhor.

Crédito: Solo helvético em A&G Fantino, Monforte d’Alba